Sobre o monitoramento
Os efeitos de megaeventos esportivos sobre o direito à moradia das comunidades afetadas são profundos e de amplo alcance. Especialistas têm ressaltado tanto os efeitos positivos quanto negativos de mega-eventos esportivos. Entre os positivos estão, por exemplo: o uso dos locais de hospedagem de atletas para moradia pública ao final dos jogos, a melhoria na infra-estrutura do transporte público e da mobilidade em geral, melhorias na qualidade ambiental das cidades, e maior acesso a locais de prática esportiva e centros culturais abertos à população. Entre os negativos, podemos destacar sobretudo a imposição de remoções forçadas que implicam em deslocamento de pessoas para locais sem infraestrututra e longe das oportunidades de trabalho e desenvolvimento humano e a segregação decorrente deste processo.
Além disso, o investimento público e privado em obras direta ou indiretamente destinadas à realização dos jogos alcança montantes astronômicos que exigem detalhada prestação de contas, não apenas em termos de lisura e regularidade nos gastos e contratos, mas quanto à legitimidade das decisões e projetos em vista do contexto urbano e social em que estão inseridos. Finalmente podemos apontar também como impacto negativo a escalada de preços imobiliários e a intensificação de processos especulativos na moradia, redução na disponibilidade de moradia social e de baixo custo, pressões e outros impactos negativos sobre assentamentos informais, e a criminalização da população de rua. Quase sempre estes efeitos negativos da falta de transparência e participação no planejamento e na execução das obras e políticas públicas envolvidas.
Por todas estas razões, é vital que se demonstre que os investimentos urbanos ligados aos megaeventos terão efeitos duradouros e amplos e que o interesse público, representado pelo direito de todos à cidade, será respeitado.